terça-feira, 1 de outubro de 2013

Mudanças


Existem várias coisas que podem ser motivadoras de stress ou angustia nas pessoas. Lembro-me que uma delas é a mudança. Mudança de casa, mudança de trabalho, mudança de namorado, mudança de roupa até. Mas se pensarmos bem ou se fizermos o balanço das várias mudanças na nossa vida, iremos por certo encontrar muitos benefícios. Mais uma mudança. E um novo mês...


  "Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas …
Que já têm a forma do nosso corpo …
E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares …
É o tempo da travessia …
E se não ousarmos fazê-la …
Teremos ficado …
para sempre …
À margem de nós mesmos…”

Fernando Pessoa

As eleições de amanhã... (posted to 28/09/2013)

Eu campanho
Tu campanhas
Ele campanha...

Ups... pois é, o verbo "campanhar" não existe! O que não invalidou que "fazer campanha" fosse durante as últimas semanas a palavra de ordem. Palavras, chavões, apertos de mão e apertões porta-a-porta. Obras públicas ou melhor obras pré-eleitorais. Essas levam-nos a pensar que devia haver eleições todos os anos. Brincadeirinha.

Amanhã é dia de eleições autárquicas, é dia de eleger aquele que localmente pode ou devia tentar fazer melhor, como tanto anunciam os pregões. Mas as dúvidas persistem naqueles que todos os dias, mesmo fora do sistema político português (pelo menos teoricamente) fazem os seus descontos, trabalham horas a fio e até vão votar, alimentando um sistema político corrompido. Um amigo definiu partidos como "máquinas de gestão de interesses, organizações mafiosas onde se arranjam empregos para "boys" que não sabem fazer mais nada". Concordo em pleno com esta definição, apesar de felizmente conhecer algumas pessoas (mesmo que poucas) que se encontram dentro de alguns quadrantes políticos (e falo de PSD e PS, para que fique claro!) que o fazem porque ainda acreditam e que, não fosse o sistema todo estar putrificado, seriam, por certo, verdadeiras máquinas políticas, pois são gente do bem.


Bom, amanhã irei votar. Também eu irei alimentar o sistema. Votarei para a mudança, mesmo que pouco crédula, é o que resta de esperança... Votem também!

Feliz (des)aniversário! (posted to 24/09/2013 o meu dia ;))

À questão: A vida é uma causa perdida? Rubem Alves, educador, pensador (e tantas coisas mais) que tanto admiro, responde assim:
"Ela é perdida no sentido em que a gente morre, mas até lá ela é um desafio, é uma aventura... e ela está cheia de coisas maravilhosas! Hugo Guimarães Rosa definiu essa coisa que se chama alegria, ele disse "Alegria, só em raros momentos de distração". É preciso ter atenção porque ela (a alegria) raramente  vem em coisas grandes."

Na verdade é nas pequenas coisas da vida que encontramos a alegria que nos conduzem a momentos de felicidade. Sim, porque também acredito que não existe felicidade plena, inabalável, eterna... Essa só é definida pelos poetas que nos encantam a vida com palavras floridas. Também eles nos dão alegria. Não existe felicidade! Existem felicidades! Felicidades vividas em tantos momentos de pequenas alegrias. Rubem Alves, em jeito de provocação, alude a que prestem atenção às pequenas felicidades, que por momentos de distração não valorizamos.  Ultimamente tenho andado menos distraída e tenho encontrado a felicidade em pequenas coisas. Levantar-me de manhã, fresca e saudável, correr 5 km e depois tomar um bom duche de água corrente. Humm... que sensação de felicidade maravilhosa! Andar na rua e ver as pessoas a conversar, mesmo que, por vezes, seja para contar as agruras da vida. Responder ao convite de um amigo para tomar café. Ler um livro antes de dormir. Ouvir aquela música, que naquele momento me apetece. Beber um gin tónico com o meu marido. Ver um filme enrolada no sofá. Comer uma pizza ao domingo à noite. Sentir o beijo de bom dia da minha filha e aquele abraço. Ui... tantas coisas!

Afinal a vida não pode ser uma causa perdida porque as coisas essenciais da vida nós encontramos em cada momento, se soubermos prestar atenção!

Já é tudo à descarada! (posted to 22/09/2013)

Eis que este sábado surge a notícia que a mulher do ministro da educação e cultura, professora Luísa Araújo, foi nomeada pelo Ministério da Educação e Cultura como membro do conselho científico das Ciências Sociais e Humanidades da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). Pelo que o ministro da educação e cultura, Nuno Crato, se veio a adiantar dizendo que nada teve a ver com o processo de nomeação da mulher para o cargo, bem como depressa o seu ministério advertiu que este cargo não tem remuneração efetiva. Agora pergunto eu: - Eeeeeee????? Quanto a mim deve ser "função não remunerada" ao estilo de Sócrates comentador político na RTP! Na verdade, por mais estranho que pareça, a classe política no nosso país considera que ter motorista, ajudas de custo, senhas de presença, etc e tal, não são remuneração. Pois é! Mas o que se há-de esperar de quem propõe cortes nas pensões do "Zé povinho" excetuando as pensões dos políticos e juízes do TC???!!! (Apesar de últimas notícias darem como efetivos também esses cortes aqui)

 Na verdade, já é tudo à descarada! Considerando que a senhora doutora Luísa Araújo podia até ser a pessoa mais competente e indicada para o desempenho de funções no conselho científico da referida fundação, mas o seu digníssimo esposo é ministro da educação e cultura, e corresponsável por centenas e centenas de professores, válidos e competentes, estarem no desemprego, sem perspetiva de vida futura, mesmo tendo todo o interesse do mundo em desempenhar as funções para as quais obtiveram formação efetiva nas escolas e universidades creditadas pelo mesmo Ministério da Educação. Ou será que não, e eu encontro-me no meio de um pesadelo mediático?!

Será caso que o ministro ainda não percebeu que se encontra no cento da polémica instalada?! Considero que o Ministério da Educação e Cultura que efetivou/concretizou (ou outros "ou" que lhe queiram chamar) esta nomeação devia ter isso em atenção, já que a mulher do ministro, professora Luísa Araújo, não teve essa atenção quando manifestou interesse em desempenhar essas funções.

Parece que moralidade e ética procuram-se em Portugal! Tenham vergonha!

Caso da professora do 1º Ciclo que supostamente grava vídeo porno na sala de aulas (posted to 12/09/2013)

(Imagem retirada da Internet)
Ontem deparei-me com mais uma  notícia que envolve professores. Neste caso uma professora do 1º ciclo, pertencente ao Agrupamento de Escolas de Mértola, que supostamente fez gravações de vídeos porno utilizando o espaço da sala de aula como cenário. Fazia-o durante os intervalos ou durante as interrupções letivas, dizem os media.
Esta notícia causou-me alguma intriga. Vejamos. Diz-se que durante umas das gravações um aluno terá entrado na sala. Agora pergunto eu. A professora resolveu publicar o vídeo mesmo tendo sido flagrada por um aluno? Incorrendo no risco de ser apanhada e colocar o seu trabalho (o seu sustento) em causa? Como aconteceu! Humm... Não sei! Ponho em causa.
Outra coisa. O vídeo desaparece da internet e quando se faz a queixa, pelo que percebo, já só existe outro ou outros supostos vídeos que os encarregados de educação identificam como sendo da dita professora. Também foram os encarregados de educação que através das imagens visualizadas (só por eles, ao que percebo!) conseguiram identificar a sala de aula dos seus educandos. Humm... Toda a gente sabe o quão difícil é fazer desaparecer de circulação imagens, deste teor, após serem publicadas. Há sempre alguém que as saca e volta a publicar. Senão vejamos como exemplo os tão afamados casos da modelo Carla Matadinho ou dos mais afamados ainda, vídeos do arquiteto Taveirinha. Ainda hoje com alguma dedicação à pesquisa os conseguimos encontrar. Este, que a escandaleira passa apenas por uma mera professora de uma escolinha no Alentejo desaparece logo. Só se é pelo tema "professores" agora estar na berlinda, como umas espécie de "coisos" (como alguém apelidou!), que agora até fazem vídeos porno para vender na internet para sobreviver. For god's sake!!! Ainda para mais a professora até estava colocada e parece que pertente ao dito Agrupamento de Mértola, que agora até fica famoso por belíssimas razões. Humm... Volto a pôr em causa!

Na verdade os encarregados de educação, que viram o vídeo, até sabem que "a docente vendia as imagens sendo paga em função daquilo que estaria disposta a fazer". Humm... Parece-me demais!

Ah... Como é que os encarregados de educação souberam da existência dos vídeos??? Foi o aluno (uma criança) que apanhou a professora em flagrante que deu o alerta aos pais???

Eu não sou de intrigas, nem conheço o caso, nem sequer o dito agrupamento, mas toda a gente sabe que nos dias de hoje a coisa mais fácil que existe é tentar (ou conseguir!) denegrir a imagem de alguém. Há muita gente má por ai e muitas injustiças também. E mais não digo! Apenas que gostava de ver este caso mais bem esclarecido. Parece-me que lançaram a notícia, um pouco no ar, deixando transparecer para a opinião pública mundial (sim, porque isto já vai além fronteiras!) uma imagem muito pouco nítida de professor em decadência financeira face à crise em Portugal. O que não é de todo verdade!

Contratados e maltratados... Grito de revolta! (posted to 9/09/2013)

Em todas as profissões que conheço o currículo adquirido ao longo da vida costuma ser valorizado pelas entidades empregadoras. Sim, em todas as profissões, menos uma - PROFESSOR!

A contratação dos professores não tem como princípio fundamental as aprendizagens e competências adquiridas ao longo da vida e enunciadas no curriculum vitae do indivíduo, mas aquilo a que chamam "graduação profissional".
Mas afinal o que é isto?
Desenganem-se aqueles que pensam que a graduação profissional abarca todos os feitos do indivíduo enquanto professor. A graduação profissional define-se, essencialmente, com base na nota da formação inicial, a que acresce um valor por cada ano de serviço. Daí que quem tem mais tempo de serviço (que também costuma ter mais idade) esteja, normalmente, colocado. Na verdade, em bons tempos, muitos foram os que ficaram efetivos apenas porque sim, ou melhor (para não ser mázinha!), porque eram necessários. De facto, essa necessidade levou a que se ficasse vinculado efetivamente a uma das profissões que maior dinamismo e atualização profissional necessita. Muitos brilharam e continuam a brilhar, lutando para que a escola pública seja uma oferta de sucesso. Outros, porém, pararam no tempo, também nunca foram muito empreendedores, muito menos dinâmicos... Mas, na verdade, continuam lá, com o seu lugar garantido e de certa forma inabalável, já que possuem "milhentos" anos de serviço, sendo essa a condição essencial para o vinculo. Outros, ainda, são vencidos pelo cansaço de umas das profissões mais desgastantes que existem, deixam o barco andar ao sabor do vento, tentando vislumbrar a tão almejada reforma, que teima em não chegar. Este é, na verdade, o retrato do elenco da escola pública portuguesa da atualidade!

O Ministério exclui ano após ano os contratados. Os contratados que, na verdade, na maior parte das vezes, são autênticas lufadas de ar fresco nas escolas públicas onde o marasmo, por vezes, teima em jazer por inúmeros anos de serviço acumulados num só lugar (muitas vezes sem grande esforço para isso!). Muitos são os contratados que dinamizam, criam, empreendem os mais diversos projetos procurando a atualização, modernização e o melhoramento das escolas onde estão inseridos. Continuam, sim, a sonhar ver o seu trabalho valorizado. No entanto, ano após ano, o seu esforço e empenho é cada vez mais mediocrizado.
Este ano e numa tentativa de mais uma vez anular todo o desempenho docente (mesmo que não seja essa a real intenção, é a que sentimos), pretendem chamar todos os contratados a prestar provas de capacidade e competência para serem professores. Profissão em tantos contextos já exercida, tantas vezes adaptada, atualizada, modernizada, melhorada... gritantemente dizendo - "Deixem-me ser professor!" Mas não deixam. Todos os feitos que deviam estar encabecados no currículo adquirido, mostrando a todos o nosso valor, permanecem na nossa memória apenas, e na memória de alguns daqueles que connosco trabalharam e ainda hoje, nesta conjuntura, nos animam dizendo: "Deus queira que tenhas colocação, pois tu mereces!"  A eterna questão que fica é: será que basta merecer?! De que nos vale o esforço se continuamos a ver os nossos sonhos adiados...


Será que não seria justo TODOS os professores (efetivos, vinculados, contratados) serem efetivamente, todos os anos, avaliados pelo seu desempenho? Sendo que a essa avaliação devia estar subjacente a sua efetiva permanência na escola pública! Desculpem-me, estou DEMASIADO FARTA de trabalhar trabalhar trabalhar e todos os anos ter de me deparar com a incerteza de uma colocação. Certa, porém, de que alguns (repito, alguns!) lugares efetivos foram tidos como adquiridos sem o menor merecimento.

Exame de admissão OU Atestado de incompetência (posted to 28/08/2013)

Há uns tempos atrás, quando se começou a falar dos professores serem submetidos a um exame para exercer a profissão, para a qual se licenciaram nas Universidades e Politécnicos, declarava-se que todo o professor avaliado com a menção de Bom estaria dispensado do dito exame. Penso até que foi isso que ficou contemplado em Lei.

Agora alguém dentro do Ministério da Educação de Cultura, quiçá o próprio Ministro, pariu a ideia de que todos os docentes contratados, ou melhor os professores contratados que a 31/08/2012 não tinham 14 anos de serviço de docência, terão de se submeter a um exame de admissão à docência. Exame esse que segundo ouvi na comunicação social, será feito até ao final do ano.

Este exame procura verificar a capacidade e competência dos professores ainda contratados para dar aulas após 10 anos a fazê-lo (por exemplo). Humm... Vejamos, tudo isto porque  primeiro os incompetentes dos professores universitários e dos politécnicos não tiveram capacidade e competência para avaliar os alunos que finalizaram as licenciaturas e, posteriores, pós-graduações, mestrados e doutoramentos, verificando se teriam adquirido as capacidades e competências necessárias ao bom desempenho da profissão. Depois, e não menos incompetentes, são os coordenadores e diretores de agrupamento, que até agora não tiveram a capacidade e competência de verificar in loco se o docente reunia todas as capacidades e competências no desempenho das suas funções, com a agravante de ter renovado o contrato a esse professor incompetente. Sim, porque o que todos os diretores de agrupamento querem é ter gente incompetente nas suas escolas, ainda para mais quando têm a possibilidade de nem sequer contar mais com eles no ano a seguir. Sinceramente, e aqui para nós que ninguém nos ouve, já lhes basta alguns efetivos que se andam a arrastar nas escolas, uns porque nunca fizeram nada (mas viveram em bons tempos, tempos em que não precisavam se esforçar muito para ser dos quadros) outros porque já estão fustigados pelos inúmeros anos de serviço que carregam. Há de tudo nas escolas, bons e maus profissionais. Como há em todas as outras profissões. Por isso é que, penso eu, existe a avaliação de competências no final de cada ano letivo, onde cada um dos docentes tem de responder pelo seu desempenho ao longo do ano, reportando-se a duas dimensões essenciais: científica e pedagógica e participação na escola e relação com a comunidade. No final é avaliado pelas capacidades e competências demonstradas ao longo de todo o ano letivo. Mas parece que isto não chega.

De facto, não sei quem pariu esta brilhante ideia, atendendo a que pode não ter sido o Ministro (já que se rodeia dos seus digníssimos adjuntos), mas será que algum deles já parou para pensar que muitos destes professores contratados, a quem hoje pedem que se submetam a um exame de verificação de capacidades e competências, tem um currículo académico muito superior (entre pós-graduações, mestrados e doutoramentos) a alguns dos idiotas (leia-se por terem muitas ideias) que estão no Governo?!

Bom... já que querem brincadeiras, então que tal submeterem todos os docentes a esse exame? Todos mesmo, efetivos e contratados. Vamos ver o que acontece?! As melhores notas terão lugares assegurados, os outros são convidados a sair. Que tal?! Brincadeira, né?! Mas talvez seja uma maneira do Ministério da Educação e Cultura, figurado no senhor Ministro Nuno Crato, deixar de ser faccioso e não partir do princípio que docentes que hoje têm 9 ou 10 anos de serviço, depois deste tempo a dar aulas, a frequentar as mais diversas formações profissionais e académicas, a ser avaliados com Bom e Muito Bom, mereçam ir fazer um exame para avaliar as suas capacidades e competências. Tenham vergonha!